segunda-feira, 28 de maio de 2018

Carta a um Amigo

Recentmente um amigo meu saiu do Brasil com destino a Israel, e mandei a ele uma longa mensagem de voz, que a resumi aqui para todos:

"Cada um sabe o que sente no momento em que sai do país. Cada um tem uma experiência e encarar a despedida e a ansiedade pela partida ao seu modo, pela vida nova que se desenha. Eu ainda lembro bem o que senti quando sai do país. Esta experiência é sempre muito enriquecedora, independetemente como andar o seu processo.
Sai do país deixando para trás praticamente 12 anos de um namoro, e você tem uma perspectiva diferente. Passei por "poucas e boas"... Eu vim sozinho, você também vem sozinho, mas sob outros aspectos. Você tem alguém lhe esperando, e tenho certeza de que ele o ajudará muito neste processo todo.
Lembre se que muita gente passará ao seu lado, mas você precisa manter seu foco. Independetemente de como foi comigo ou outros amigos que você conheça e que fizeram o mesmo caminho, você precisa se perguntar: Eu posso ir mais longe? Esta pergunta é chave. Se você sente que sim, siga em frente. O sofrimento virá, em menor ou maior grau. É fato!
Sentirá falta de seus pais, irmãos, amigos, família, porém onde você se concentrará mais? No que "perdeu" ou no que estará ganhando fora? Quando a segunda opção for a melhor, é sinal para continuar! Pense sempre que há muito a ganhar, e é isto que espero para você.
Que você consiga superar de maneira tranquila todas as dificuldades que enfrentará, pois a diferença cultural é muito grande. Você ainda teve uma rápida passagem por aqui, e isto lhe dá uma vantagem que eu não tive, pois minha primeira vinda foi de logo para me mudar. Não se trata de uma competição, mas perceba que isto lhe será benéfico.
Apenas tente conter eventuais momentos de extrema ansiedade, onde você esteja a ponto de cometer alguma bobagem, seja ela qual for - busque desviar o foco desta atenção negativa. Eu, por exemplo, ano passado comecei a sentir os mesmo sintomas de ansiedade que senti antes de buscar tratamento psicológico. E algo de bom que tirei disto foi saber em como lidar com a minha inteligência emocional, e daí que comecei a praticar caminhadas noturnas, de 5km, 8km, 12km por noite, tendo chegado a incríveis 35km num Shabat em Tel Aviv, entre repouso e passeios.
Fica como uma dica, uma possibilidade. Haverá momentos em que se pensa que não há saída, de que estamos sozinhos no mundo, mesmo com muita gente em volta. E NÃO ESTÁ! Você precisa estar bem consigo mesmo, sentir que você está no controle. Diga para si mesmo: Eu Posso. Perceba em si uma força surgir de onde você não espera. Isto para mim, foi mágico, e faz com que eu ganhe uma dimensão que as vezes eu não consigo traduzir aos demais.
É claro que eu tenho minhas inseguranças, e como... É tudo muito novo! Eu começo a olhar para trás, perceber tudo que superei, e sinto orgulho de mim mesmo. Sinto um orgulho da porra (com o perdão da expressão)!
Que seja hoje, quando me despedi em definitivo de Beer Sheva, dos incomodos que senti com meu último companheiro de quarto... Ele não fez nada de propósito, por despeito... Passou, suportei e segui adiante. É necessário estar consigo mesmo e se sentir no controle.
Este foi um fato, dentre tantos, e quando eles vierem procure uma resposta. O outro não é um problema, eu não sou um problema... saiba que existe momentos que você terá que aguentar, terá que enfrentar, pois você é novo, chegou a pouco tempo e não sabe como reagir, está fora da sua zona de conforto. Mas o bacana é que isto lhe instiga a se mexer, de buscar algo diferente.
O comodismo é algo natural do ser humano, e não falo como crítica, e sim como observação. A questão é não se acomodar com o que há de ruim; é buscar o melhor. Isto leva tempo; se dê tempo. Faça com calma!
Eu realmente espero que tudo ocorra bem.
Aprenda o seguinte: Se tudo só ficasse bem, ficaria sem graça. Quando algo vai mal, aprendemos a nos mexer, a evoluir, e melhorar, a nos moldar. A recompensa é indescritível. Eu me sinto um homem melhor!
Mesmo sentindo toda a saudade que eu sinto, também percebo todos os ganhos que tenho obtido. Aprendo a cada dia a me fortalecer sem perder a resiliência - a capacidade de desviar daquilo que não posso alterar, mas que tampouco quero que me machuque. Ser maleável! Não dar murro em ponta de faca.

יאללה. קדימה!"

terça-feira, 15 de maio de 2018

Faixa de Gaza

Eu não tinha intenção de abordar questões de conflito militar, mas é quase impossível não aborda las. Israel, antes de ser culpada ou vítima, está no centro nervoso dos noticiários mundiais de conflitos. O peso com que as notícias e o viés com que são noticiados também são de certo modo desproporcionais ao tamanho do conflito e dos envolvidos.
Poderia abordar questões históricas, mas o momento me pede alguns pensamentos a respeito do último conflito, em 2018, onde frequentemente noticiário mostra a morte de diversos civís naquele território.
Há que se observar sempre o ponto de vista de onde vem as notícias e fotografias. Em qualquer local de conflito, se as notícias vierem apenas do lado mais fraco, a tendência é de se mostrar este lado apenas como vítima e o outro apenas como agressor. Historicamente é a forma como o conflito com Israel tem sido retratado, daí as distorções constantes. As agressões vem de ambos os lados, de diversas formas, portanto ambos ferem e saem feridos.
Este último conflito é por conta dos 70 anos da fundação de Israel, onde o grupo terrorista Hamas tem incitado a população de Gaza a tentar invadir o território israelense, numa tentativa de recuperar o que um dia pode ter sido de seus antepassados recentes. E com a recente transferência da Embaixada dos EUA para Jerusalém (inaugurada justamente em 14/05/2018), teria sido o motivo adicional para entrar em conflito.
O primeiro ponto que me chama a atenção é que se é sabido que Israel tem um exercito forte e extremamente preparado, me parece que uma tentativa de invasão se assemelha ao dito popular "dar muro em ponta de faca". Se bem que houveram alguns poucos que conseguiram ultrapassar a fronteira e foram presos em território israelense.
Foto: Reuters - obtida nesta reportagem.
É notório que se utiliza a população inocente e descontente com suas vidas como massa de manobra para se criar um cenário televisivo perfeito para demonstrações de excessos de força, que na minha humilde opinião existe. Ou seja, já se sabe para onde as câmeras estão apontadas e que o jornalismo ali presente está sedento por sangue, afinal, isto vende jornal! Se observarmos fotografias vindas de lá, tecnicamente são muito bem feitas, com iluminação cinematográfica, trazendo muita emoção, o que por outro lado também é discutível até que ponto não é embelezamento da tragédia humana (me refiro a qualquer fotografia de guerra).
Sei o peso da minha escrita, e não a fiz por conhecimento empírico, e sim por ser formado em Comunicação Social, com passagem por um Bacharelado de Jornalismo (inconcluso). Há diversos estudos de mestrado e doutoramento a respeito de diversas forma de abordagem no jornalismo.
Ou seja, há duas peças nessa mesa de xadrez que são fundamentais: o circo midiático e insuflar a população a se atirar contra um dos maiores exercitos do mundo.
Outro ponto que me chama a atenção há anos é que Israel, em especial os governos de direita como de Benjamin Netaniahu, não se dão conta que a cada uso excessivo da força como o fazem em Gaza, ao manterem apenas uma estratégica belicista, contruíbe para a percepção negativa mundial sobre o conflito. Não me refiro que tirar tropas e chamar para bater um papo - este absolutamente não é o momento para isto. Mas insistir numa busca da paz apenas através de ações militares prova, há mais de 70 anos aqui, e séculos mundo a fora, que não funciona. É claro que do lado palestino também há muitos erros, como a valorização da morte para criar a imagem de mártires, incluindo crianças, ao contrário da lei judaica de valorização da vida sob todos os apectos.
Gilberto Gil diz em sua música que "a bomba sobre o Japão fez nascer o Japão da paz". Não é sempre assim, meu caro. Nem tudo se resolve com porrada, tiro e bomba.
Entristece me muito saber que estou em plena segurança, levando uma vida normal como deve ser, enquanto uma população é afligida por diversas formas, como as péssimas escolhas políticas locais e os ataques vindos de fora.
Finalizo esta publicação com o alento de ter parcipado de um protesto pacífico contra o forma como este conflito é conduzido, e compartilho um dos poucos vídeos narrados de maneira neutra, sem tender para nenhum dos lados, embora com algumas imprecisões. Que tenhamos paz. Quem tenham paz!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Israel e Irã: Pensamentos sobre o último conflito

Infelizmente, desde a queda do regime dos Xás no Irã e a consequente Revolução Islâmica naquele país, as relações com Israel só vem de mau a pior ao longo dos anos. Históricamente, judeus tem presença naquele país há mais de 2500 anos, conforme relatado inclusive na Bíblia (livro de Ester) com a queda do 1º Templo de Jerusalém (o Templo de Salomão). O tratamento a judeus daquele país até os dias atuais é tido como bom, gozando de privilégios como a permissão do consumo de vinho para as festividades, sendo que bebidas alcóolicas são proibidas naquele país (embora facilmente encontrado a venda até com a polícia iraniana, que eventualmente entrega em casa, conforme relato de turistas). O porém fica para a proibição de manterem contato com Israel. 
Como é distante, Irã usa Síria e Líbano com escudos para atacar Israel
É tido que o início do último conflito na região norte de Israel tenha se iniciado após uma apresentação do governo de Benjamin Netaniahu, com dados ultra secretos obtidos pela Mossad, a respeito de uso militar da energia atômica por parte do Irã. Em suma, segundo "Bibi" Netaniahu, o Irã mentiu.
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, desde sua campanha eleitoral, vinha afirmando que o acordo para uso civíl e pacífico de energia nuclear pelo Irã, e a retirada das sanções econômicas ao país dos Aiatolás, foi um erro do governo de Barak Obama e por isto mesmo retirou seu país deste acordo, embora os demais países continuem nele. 
Israelenses lançaram esta campanha aos Iranianos

Embora as acusações do governo israelense sejam graves, ainda assim não me parece um motivo para um conflito armado. E mesmo que fosse (se é que existe justificava plenamente válida para guerrear), fica cada vez mais claro que o Irã usa a Síria, já bastante debilitada por conta da grave Guerra Civíl que enfrenta, e o Líbano, que ainda se reergue da Guerra Civíl nos anos 80, como escudos para seus ataques. Afinal, geograficamente, o Irã é muito distante de Israel. Desde a Guerra contra o Iraque nos anos 80, o Irã não foi atacado militarmente por nenhum país, o que não se repete com Israel.
Uma primeira questão que eu me faço é porque um país com milhares de quilômetros de distância, com no mínimo dois países entre eles, tem bases militares noutro, que faz fronteira com Israel? Só pode ser mais do que provocação: para guerrear. E quantas bases militares Israel tem em qualquer pais do mundo? Nenhuma! Vindo de um país que diz querer varrer do mapa duas das três maiores cidades de Israel é extremamente grave este comportamento iraniano.
Iranianos respondem, mas porque escondem os rostos?
Há também que se notar a diferença nos discursos dos líderes dos dois países. De um lado, se prega a destruição de Israel, do outro impedir que o primeiro alcance armas de destruição em massa e atômicas. Mas ainda assim, num jogo baixo de discursos fracos, tanto por políticos como jornalistas, brasileiros e extrangeiros, Israel é quem leva a culpa.
No caso do último ataque, que começou com Israel destruindo bases militares iranianas na Síria, e teve como resposta ataques ao território israelense, gerou uma repercução também pela "desproporcionalidade" dos ataques, pois nenhum dos mísseis lançados a Israel atingiu o espaço aéreo israelense, e o que "prova" que o armamento iraniano é de baixo alcance, e que Israel usa de força excessiva para conte los. Oras... quem garante que isto não se trata de uma provocação e um teste por parte dos iranianos? E quem garante que a iniciativa dos ataques não seja de desviar as atenções de onde poderiam vir ataques de fato de longo e alto alcance? E mesmo que seja verdadeira a afirmação da fraqueza militar deles, se alguém colocar a mão no fogo e se queimar implica que a culpa é do fogo? Cada um usa as armas que possui, e há que se analisar os alvos. Do lado iraniano, misseis lançados contra alvos civis, e de Israel, ataques a bases militares. Portanto, um lado quer a destruição de quem estiver pela frente, não se importanto com quem, e do outro a destruição de armamentos. 
Da minha parte, acredito muito mais que iniciativas como a dos cartazes acima sejam muito mais importantes do que se pensa. É o indicativo de uma mudança vinda da iniciativa popular e que espero avançar a esfera política. Não custa sonhar e trabalhar por este sonho, não é?
De todo modo, a situação nas ruas, mesmo no Norte de Israel é calma. Como disse em redes sociais, passei as últimas noites indo a bares para acompanhar a Neta Barzilai no festival musical Eurovision de 2018. No norte, na região da Galiléia e das Colinas do Golan, embora nada de mal tenho ocorrido, apenas os abrigos anti bombas permanecem abertos, limpos e com mantimentos, por precaução. Passeios pela região podem ser mantidos sem medos ou sustos, e viagens para cá não devem ser adiados ou cancelados. Venham e passeiem! Israel é um dos países mais seguros e fara o possível para que isto se mantenha para todos aqui, cidadãos ou turistas.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Bobagens e absurdos feitos e ouvidos

Viver no exterior é dar a cara a tapa; é necessário estar disposto a errar para aprender. É impossível aprender apenas acertando. O Paraíso na Terra que muitos buscam não existe, especialmente quando lançamos altas expectativas. Por maior que seja o preparo, sempre cometeremos erros, e também ouviremos absurdos e bobagens.
Passar vergonha no exterior é quase um rito de passagem. Vejo com bons olhos.
De qualquer forma, existe um desconhecimento muito forte da vida e suas necessidades fora das fronteiras brasileiras.
Uma das primeiras bobagens que eu escutei, ainda no Brasil, era:

Você poderá ensinar Língua Portuguesa!
Não, não posso! O fato de ser falante nativo, e modestia a parte, muito bom nos conhecimentos gramaticais, não me faz uma pessoa hábil para lecionar língua alguma (só pra reforçar que também não ensino Hebraico). Não basta saber a língua, é necessário saber ensinar, e isto demanda preparo (que eu não possuo) que uma Faculdade Letras poderia ter me trazido, se fosse do meu interesse. Existe no Brasil a percepção de que para ensinar, basta saber; isto para não falar do absurdo "quem sabe, faz, quem não sabe, ensina", o que demonstra a falta de atenção que temos com a educação e nosso subdesenvolvimento socioeconômico.
Primeiramente, fora do Brasil, muito pouca gente quer aprender Língua Portuguesa, pois em geral, o fazem por razões práticas e pragmáticas, como viagem e comércio. Tirando Brasil e Portugal, poucos são os que sabem quais outros paises se fala português - e muito brasileiro estudado também não sabe.
Por favor, manifeste se aquele que aprendeu finlandês por razões unicamente culturais (embora eu conheça quem estude sueco livremente). Se não for esta, qualquer outra língua que pode ser considerada exótica ou restrita.
Por mais importante que a língua seja, aqui é mais fácil encontrar interesse em cursos de russo, alemão, francês, inglês e espanhol. Se bem que por isto mesmo eu me surpreendo quando encontro algum falante de português por estes lados.
Venda coxinhas! (uma espécie de nugget de frango)
Esta delícia da culinária brasileira, hoje ainda mais valorizada que antes, é a expressão forte da cultura informal que é a brasileira. Pobre em ingredientes, mas rica em sabor, a coxinha é muito boa e gostosa, mas isto não implica que fora do Brasil fará sucesso. Em geral, sua massa é feita com caldo de frango, leite e farinha de trigo, e no caso de Israel, deve ser adaptada pois uma das premissas da alimentação Casher é não misturar laticínios com carne e derivados, e isto inclui frango.
Da mesma forma que falafel é uma delícia e poucos lugares no Brasil o vendem, coxinha teria o mesmo destino, senão pior. Ou seja, até existe mercado, mas seria um nicho. As pessoas aqui são orgulhosas da alimentação que tem (rica em verduras e leguminosas) e estão satisfeitas com o que tem. É necessário conhecer o mercado para saber de uma possível aceitação e provavelmente adapta lo.
Venda Pão de Queijo!
O mesmo que comentei sobre a Coxinha, é uma expressão alimentar brasileira, e aqui em Israel, é até difícil encontrar os ingredientes para a massa. É uma alternativa interessante para quem não pode ingerir glutén e também para o Pessach, pois não leva farinha de trigo ou qualquer outro ingrediente fermentável proibido durante a festividade (era a minha alternativa ao pão, no Brasil). Ainda assim, o mercado para o pão de queijo ficaria restrito para brasileiros aqui, ou seja, nicho de mercado, mercado restrito.
Para ampliar mercado, é necessário conhecer o gosto local e se adaptar a ele, e provavelmente perderia parte da sua identidade, pois aqui se come muito pimentão, cebola, tomates e pepino, e achariam estranha a massa ligeiramente adocicada e borrachuda de um pão de queijo. Para meus leitores do exterior, um bom pão de queijão é crocante por fora também e deve ser comido fresco e quente.
Claro que nestas apostas, o Açaí tem feito sucesso, mas está aos poucos saindo do nicho de mercado. Da minha parte, continuará lá. Não gosto de açai, ou ao menos da forma como se vende em São Paulo (dizem que no Pará o sabor e aparência são completamente diferentes).

Das bobagens que eu fiz, posso citar algumas:
  • Comprei um protetor solar em spray, com cheiro de uva. Eu sabia que era para criança, mas só depois de compra-lo, eu senti aquele cheiro enjoativo. Sem contar que spray é uma merda, pois metade se espalha no chão ou em portas e paredes;
  • Comprei extrato de tomate no lugar de molho de tomate. Eu pretendia preparar uma Shakshuka, um prato tipicamente israeli, mas não sabia ler direito o rótulo.
  • Comprei um condicionador de cabelos e pensei que fosse hidratante. Em minha defesa, estava no lugar dos hidratantes. A consistência na pele era estranha, mas serviu ao propósito inicial! ;)
  • Comprei um sabão líquido com hidratante pensando ser hidratante apenas. O tempo aqui é muito seco, e usar hidrantante é fundamental, mas comprei um sabonete muito bom com hidratante, e não apenas um hidratante. Também serviu ao seu propósito.
  • Queria comprar carne, mas não entendi onde tinha, e não sabia como pedir no começo. Acabei comprando linguiças, porém eram extremamente picantes. Eu já comi pimenta jalapenho e não senti que fosse tão picante quanto esta linguiça. 1kg de linguiça desperdiçados.
  • Pegar o ônibus certo, no sentido errado. O Google Maps e outros aplicativos me levam ao erro. Hoje bem menos, mas quando menos espero, acontece!
  • Pegar ônibus errado e parar noutra cidade. Esta foi emocionante, pois o shabat se aproximava, e eu já estava cerca de 20km longe de casa, e se não pegasse o ônibus de volta, só voltaria a pé no calor do verão daqui. Consegui voltar em paz!
  • Sair de um supermercado, com frango congelado na sacola, e acabar no meio de um protesto de veganos contra o consumo de carne. Sorte que não viram nada, pois a sacola era preta.
  • Dar um beijo na pessoa errada. Eu avistei um amigo por trás, e lhe dei um abraço por trás e um beijo na bochecha, daí quando ele virou vi que não era quem eu pensava. Sinto vergonha até hoje!
  • Já andei no bondinho de Jerusalém sem pagar. Achei que eu tinha crédito no cartão de onibus, e fiquei tranquilo. Levou dias para eu saber o que aconteceu. Em compensação, noutra oportunidade acabei pagando duas vezes pela viagem. Ambos os casos foram sem querer. Ao menos estou com a consciência tranquila.
  • Recebi uma cantada do segurança da estação de ônibus. Ele chegou a pegar na minha mão, depois de fiscalizar minha mochila. Basicamente disse que posaria nu pra mim, depois que viu meu equipamento (fotográfico).
  • Pedir café e receber café com leite, capuccino, machiato, latte... Levei cerca de 3 meses até saber como pedir um simples café, puro, expresso, sem leite, pois aqui café preto é o Café Turco, preparado com o pó do café no copo. Se bem que até passei a gostar (de café com leite), ao menos da forma que é servido aqui, mas eu sou brasileiro e quero beber café expresso! Só pra constar, até hoje quando peço um café, me oferecem leite, e quando digo que não quero, me olham com cara de maluco. Posso ser maluco, mas sou feliz e bebo café expresso puro!

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ano 1!


Finalmente chegou! Meu primeiro ano em Israel.
Nas primeiras horas do dia 26 de abril de 2017, eu desembarcava no aeroporto Ben Gurion, para mudar minha vida, mudar de vida, e entre altos e baixos, definitivamente mudei. Sou outra pessoa, em diversos sentidos.
As vezes paro para pensar em cada detalhe que eu passei antes, durante e após esta grande mudança na minha vida.
Algo que faz não me arrepender é o quanto eu tenho aprendido com as histórias de cada uma das pessoas que passaram pela minha vida. De trabalho, colegas no centro de absorção, de Ulpan... Todos me transformaram numa pessoa diferente. Creio ser uma pessoa melhor, mas só o tempo dirá com devida propriedade.
É um momento de balanço, de lembranças, de saudades, de reconhecimentos e méritos. Qualquer mudança de país é bastante dificil para quem quer que seja, para qualquer país que seja, e comigo e Israel não foi diferente. Alguns enfrentam de forma mais tranquila, outros de forma bastante turbulenta, mas todos cheios de emoção. E como uma pessoa extremamente passional como sou, não foi diferente. Um pouco de tudo.
As vezes paro para pensar no que deixei para trás, e ainda me questiono se foi o melhor. Não é arrependimento, mas uma consideração, um carinho. Deixar família, amigos, trabalho, e O Amor da minha vida para trás não foi uma decisão fácil ou que eu recomende. Mas eu sentia que precisava de um "tapa na cara", sair da minha zona de conforto, de experimentar o que a vida pode me oferecer, e não poderia esperar quem quer que fosse pensar a respeito, até porque a decisão foi tomada num momento de profunda solidão. Precisava seguir a diante. O tempo é o senhor das respostas e ele me proverá o amor que eu deixei, seja aqui ou aí. 12 anos de história não são 12 dias, nem 12 meses.
A saudade é algo que não passa. Apenas a controlo, e por vezes a sufoco, soco, mas ela saiu feito um furacão quando eu reencontrei minha familia em Jerusalém. Uma emoção que para poucos eu tive a coragem de descrever.
Posso dizer que sou uma pessoa de sorte. Vi o quanto meu pai trabalhava, dia e noite, para manter uma qualidade de vida razoável para mim e minhas irmãs, mas nem por isso foi fácil enfrentar a inflação dos anos 80, o sequestro das economias com Fernando Collor em 90... Ainda assim, me considero de sorte por ter tido muitas oportunidades na vida. Porém senti que eu disperdicei muitas delas, e minha vinda para cá serve também como uma resposta pessoal de quem se cansou de desperdícios, de colocar a própria vida em segundo plano para atender as demandas alheias.
Como eu costumo a dizer: Eu não virei as costas a ninguém ou a nada, apenas virei de frente a mim mesmo!
As vezes é assim que me sinto. Equilíbrio é a palavra chave.
Poucos são os que me disseram e/ou reconhecem sobre a coragem que eu tive em fazer o que fiz. Eu mesmo demorei para reconhecer. Vim para um país que eu não conhecia de forma alguma. Jamais estive aqui antes e encarei este desafio. Talvez daí venha a impressão em muitos que eu não gosto daqui. É o oposto. Apenas desenvolvi ainda mais um espírito crítico de quem quer melhorar, e quem quer melhorias. Sou feliz aqui. Se meu destino é permanecer aqui é outra questão, e não estou em busca desta resposta no momento. Vim com a cabeça aberta para uma experientação, e tenho sugado o que é possível e sinto que tenho muito mais a aprender!
Quando somos crianças, crescemos e evoluímos numa sociedade, seja ela qual for, sem uma referência anterior. Uma imigração na fase adulta não apaga este passado, esta evolução, este referencial, e daí as brigas internas constantes para entender a sua nova realidade. Acho que assim resumo o que eu vivo aqui. Um enfrentamento diário comigo, muito mais do que com outros.
Parte das críticas que recebo também são frutos da minha pseudo exposição via redes sociais e por aqui, embora eu sempre ressalte que eu sou consciente do que exponho, e Ninguém tem capacidade de me julgar, pois Ninguém sabe nem 10% do que passo.
Muitas decepções passei, bem como muitos alentos e carinho tenho encontrado, e boa parte a distância. Amizades que pareciam tão amenas, se provaram muito fortes e me dão mais gana em continuar, em avançar, em crescer, em melhorar, em me conhecer de fato. Retomei amizades duradouras que estavam adormecidas.
Lembro de uma senhora que me pediu uma ajuda, e ao notar meu sotaque, perguntou se eu era francês (a maioria acha que vim de lá), e ao falar Brasil, passou a falar num português muito bom, e me acalmou a respeito de muitas coisas, especialmente a valorizar as pessoas mais calmas e generosas no meio da ferocidade. E lá estava ela, e nem o nome dela eu sei, me abriu os olhos para outros aspectos. Só me recordo que ela morou por cerca de 7 anos no Brasil, 5 anos no Canadá e 2 em Portugal, e adorou o Brasil e espera voltar em breve, o que não se repete com os outros países citados.
E a cada paquera surgida a distância, um alento a meu coração. Em perceber que não sou invisível. Em perceber que embora nada tenha acontecido, a minha imaginação voou longe, as vezes para a França, Canadá, Brasil, Alemanha e Oceano Pacífico e a sensação de solidão era diminuída. Obrigado a todos, que de modo direto, e também os indiretos, demonstraram seus sentimentos por mim e pude retribuir de uma forma terna.
Ainda me sinto muito solitário aqui. E com isto também tenho aprendido a me conhecer, e me respeitar, e principalmente, a colocar em prática o que minhas terapeutas, as Dras Gabriela Russo e Rosangela Nimea diziam, de ter uma inteligência emocional, de cuidar primeiramente de si próprio - de equilibrar força e resiliência.
Enfrentei "sozinho" de Hepatite a crises de ansiedade, de despedidas a enterro de amigos, passando a colegas envolvidos com álcool a drogas. E na medida do possível tenho as encarado e superado. Não me deixei abater.
Aprendi a não tomar para mim o que acontece a minha volta. Não me tornei uma pessoa desprovida de coração, mas entendi que há fatos que ocorrem aquém da minha vontade, e envolver me com elas me tirará do meu caminho, do meu prumo e não trará necessariamente a devida ajuda. Até porque eu me afetei mesmo quando pediram para que não, como quando minha melhor amiga resolveu deixar Israel e seguir seu rumo noutro lugar. Mas me recompus rápido e hoje tenho aquele sentimento gostoso da saudade.
Acompanhei a distância a despedida de uma tia, o nascimento de filhos de amigos, promoção no trabalho... É ter ciência que não estou presente, mas faço parte das lembranças deles. É receber ligações de vídeo no meio da madrugada (daqui) cheia de piadas com a minha cara amassada de sono, ligações de video com fofocas generalizadas e compartilhar das alegrias e tristezas alheias, receber broncas via mensagens de voz, quase ser ludibriado por um psicopata, é ter um presente de aniversário entregue em meu nome. Receber a tradução gratuita do meu currículo sem que eu tivesse pedido, e ajuda com a minha saúde num triângulo Brasil-Holanda-Israel.
Eu poderia nomear cada um aqui, mas sinto que eu teria que abrir outro blog só agradecer a cada um da maneira que eu gostaria.
Resolvi, portanto, colocar uma foto daqueles que se destacaram, de algum modo, no topo desta publicação. Omiti outros em respeito a sua própria imagem, que por motivos que somente a eles cabe, preferem ficar de fora de holofotes. Bem como a minha família, da qual eu jamais pensei que seria tão compreensiva e participativa neste processo todo. Eu tenho plena consciência do susto que eu trouxe quando, resumidamente, eu contei: "daqui uns 20 dias estou me mudando. E não será de casa, e sim de país!". Fiz assim pois eu tinha que lidar com as minhas emoções primeiramente e depois com as dos demais.
Portanto, o sentimento de saudade hoje se mistura com o de agradecimento forte e sincero, tanto a aqueles que aqui estiveram comigo, a turismo, a negócios como neste sonho que é viver fora do seu país amado, do cerco de pessoas queridas, e enfrentar um país que pode ter seus defeitos (mas têm virtudes também), e ainda assim quase que integralmente lhe abraça e lhe deseja Mazal Tov (parabéns) e Behatzlachá (sucesso). Que venha mais!
Para terminar, fica a música que atualmente reflete um pouco das minhas sensações aqui. A tradução e a transliteração podem ser lidas aqui.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ver para crer. Visitar para sentir.

Israel não é um país fácil de entender.
Explicações externas tentam, mas em geral em vão, explicar os desafios da vida cotidiana e política no único país judaico do mundo.
E minha observação não se baseia no fato de eu ser judeu e morar aqui. Seja pelo lado positivista ou negativista, as observações sobre Israel são exageradas, infelizmente, muito mais por quem a critica. Nomes com a capacidade de análise histórica e que mantenham o respeito são poucos.
Lembro de ter lido uma das últimas notas oficiais do PSOL, onde um texto lotado de ódio, quase babando sangue, vem querer desqualificar ações militares de defesa de Israel. Se as observações se baseassem em abusos, seria de se levar em consideração, mas quando parte do princípio de línguajar chulo e cretino, com termos como banho de sangue e estado genocida, ultrapassa se claramente o limite entre critica a atuação e passa a se questionar a soberania nacional, o que é algo extremamente perigoso. A primeira é plenamente justificavel, desde que embasada, mas infelizmente, o partido não tem capacidade disto, e por isto mesmo, desde a sua fundação, corre por fora em qualquer cargo que dispute. São poucos os personagens ligados ao partido que tenham um viés neutro, e quem defenda Israel beira a neutralidade.
Não entrarei no mérito do conflito ocorrido ao Sul, pois pouco acompenhei o caso. Tanto que um jornalista brasileiro tentou obter informações comigo e creio ter sido muito vago. Abordo apenas do que sei! A questão é que os últimos conflitos, em 2017 e até a presente data em 2018, a segurança nacional saiu inabalada.
Esta semana eu tive a ilustríssima presença dos meus pais e irmã, comemorando o Pessach e matando as saudades deste quase um ano de distância. E chegaram pouco tempo após os conflitos na fronteira com Gaza. Logo nas primeiras horas, minha mãe, em sua primeira vez na Terra Santa, observou o quando as pessoas andam despreocupadas pelas ruas, e na quantidade de bancos pelas ruas, e como as pessoas a ocupam, transformando as em locais de socialização.
Pessoas próximas a ela, incluindo familiares, a aconselharam a não vir, acham que andamos nas ruas desviando de bombas e tiros, sendo que em momento algum ela sentiu qualquer medo ou inseguraça enquanto esteve aqui. é engraçado saber que até familiariares deram esta recomendação, sendo que o filho dela, eu no caso, está aqui e nunca fez qualquer menção a insegurança. Se ela estaria em risco ao vir, eu já estou há tempos.
Só faltaram minha outra irmã e meu sobrinho. No Yad Vashem.
É compreensível a preocupação, pois é algo fora da realidade brasileira. No Brasil a preocupação é em não andar com muito dinheiro no bolso, pois se pode ser assaltado, ou "ostentar" um celular novo, joiais, relógio - é "pedir para ser assaltado", e ainda dirão que a culpa é sua, da vítima. É ver notícias de chacinas, se indignar num dia, e nem pensar mais nisto no outro. Mas o problema é a guerra (que não existe) entre judeus e palestinos pelo controle em Israel.
Aqui se retira dinheiro no meio da rua, no meio da feira, sem diversos dispositivos de segurança comuns no Brasil.
Umas semanas antes da vinda deles, um amigo dizia que a relação que os país dele tinham com Israel também era de total preocupação, mas que após a visita, passaram a enxergar um país incompreendido, com seus vicios e desafios, problemas e soluções, e sairam muito mais tranquilos "em deixar" seu filho aqui. No fundo, embora eu ainda não tenha conversado muito com eles a respeito, creio que o mesmo ocorreu. E embora a saudade seja grande, e os convites para uma volta foram mantidos, viram o que eu lhes relatava, e mais, a respeito das possibilidades de crescimento profissional e pessoal, que foram muitos dos atrativos para a minha vinda.
Embora eu também me sinta triste em não haver qualquer chance de negociações de paz entre Israel e Palestinos, por culpa de ambos os lados (não vou aqui medir o mais culpado ou o mais inocente), a vida que se leva aqui é muito mais leve que no Brasil, mesmo nos aureos tempos de crescimento de 7% do PIB. Mesmo amigos vindos de paises desenvolvidos, como EUA, Bélgica ou Canadá, relatam a violência tem crescido, incluindo a terrorista, enquanto em Israel ela diminui a passos largos.
Independentemente da sua posição político-partidária, crença religiosa, fica o convite a visitar o país e ver com seus próprios olhos onde está o tal apartheid tão comumente dito, ou a insegurança nas ruas, o que o conflito com palestinos tem produzido: De um lado um país com uma economia punjante, do outro, se questione até que ponto Israel é responsável pelas mazelas daquela população. Eu ainda não tenho respostas para esta questão de difícil, e por isto compartilho aqui algo que também busco saber. Não estou, entretanto, dizendo que não exista qualquer destrate aos palestinos, mas a noção de apartheid é de segregação institucional de uma nação a seus prórios cidadãos, como o que ocorreu na África do Sul e Estados Unidos. Como ainda não tive qualquer possibilidade de visitar a Cisjordania, prefiro não emitir qualquer opinião a respeito.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Tel Aviv, uma das cidades mais caras do mundo

Sairam recentemente diversas reportagens, e diversas línguas, a respeito das cidades mais caras do mundo para se viver. Chama a atenção que a única cidade no Oriente Médio entre as 10 mais caras é Tel Aviv, coração cultural e financeiro de Israel. É a 9° colocada!
Lembro ano passado, durante minha primeira visita a cidade, quando encontrei um amigo coordenador da viagem Marcha para Vida, e uma amiga que não via há uns 10 anos e que mora na cidade. Fiquei bastante impressionado com o custo de coisas simples, como uma garrafa d'água. Na ocasião, eu comprei uma, de 1litro para beber no caminho de volta, durante o forte verão daqui, e me custou ₪11, sendo que na cidade de Beer Sheva, onde morava, a mesma garrafa custava ₪6.
Em 2011, houveram diversos protestos no país reclamando justamente do alto custo de vida no país, mas de lá pra cá, o que se diz é que as coisas não melhoraram.
Um ponto precisa ser observado: a desvalorização do dólar frente a diversas moedas, incluindo o Shekel Novo, tem influenciado no aumento do custo de vida. A pesquisa se baseado na conversão em dólar dos produtos listados.

Na minha opinião, o maior custo é o de moradia. Dividindo aparamento com algum colega de quarto, o aluguel na cidade parte dos ₪ 2300, não incluindo os custo de manutenção predial (parecido com condomínio no Brasil), água, eletricidade e a Arnona (imposto municial, equivalente ao IPTU).
Não a toa muita gente tem optado por morar em cidades próximas, e eventualmente distantes, e viajam todos os dias para trabalhar. Há casos em que pessoas tem optado por morar em cidades a mais de 80km de distância e vão de carro, ônibus ou trem para o trabalho, todos os dias. Num pais que se tem pressa demais, e paciência de menos, morar num local maior e mais barato não é algo facilmente aceitável - e nem deveria ser.
Seria este um preço a se pagar por causa do seu próprio sucesso?
Para encerar, um vídeo do Nas Daily, fazendo uma demonstração do custo de vida em Israel  embora tenha se concentrado em Tel Aviv, frente ao antigo salário mínimo daqui, que na ocasião do vídeo eram ₪5000 (₪27/hora), e hoje são ₪5300 (₪30/hora).

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dados de imigração

Há cerca de um mês foi divulgado números a respeito da imigração e de quantos sairam e não retornaram a Israel.
Os dados em questão mostram quantos imigrantes legais chegaram a Israel no período de 1º/01/1989 até 31/12/2012, ou seja, por 23 anos.
É um total de 1.330.340 imigrantes novos, sendo que destes, 144.628, ou 10,9% sairam de Israel e não retornaram. São considerados apenas os casos de não retornarem após 2 anós, quando para questões oficiais, é considerado não residente (embora a cidadania permaneça).
O que mais me chamou a atenção é o caso do Brasil. A saída de judeus do país rumo a Israel cresceu nos ultimos 3 anos, mas ficou abaixo do projetado para 2017 - se dizia que poderia passar as 900, e não chegou de 700, ficando uma numeração um pouco mais elevada se comparada com 2016. De todo modo, no período ilustrado, de 23 anos, 5.617 brasileiros imigraram para Israel, sendo que 1.426 sairam e não retornaram (taxa de 25,4%). Ou seja, a quantidade de brasileiros que chegou aqui em 23 anos não se compara com o de russos que chegam num único ano.
Um ponto que serve também para brasileiros compreenderem que o português tem pouca presença aqui é o fato de que neste período todo a quantidade de imigrantes não chega a 25% da imigração anual dos russos e ucranianos.
Outro ponto que me chama atenção é que os judeus do Brasil possuem uma das maiores taxas de evasão do país, que tem uma média de 10,9%, e de brasileiros em 25,4%. Não é possível apresentar os motivos, pois não é necessário ao cidadão, seja ele nativo ou imigrado, prestar informações a respeito.
O que deve ser feito é informar ao governo da sua saída, pois num caso de retorno, seja a turismo ou residência, não haja cobrança de pagamento de seguridade social atrasada, por exemplo. É algo parecido ao que no Brasil se faz junto a Receita Federal, a chamada Declaração de Saída Definitiva, que deve ser feita por cidadãos que pretendem permanecer mais de 12 meses no exterior, independentemente do motivo, e também serve para evitar taxação sobre ganhos de capital e salário no exterior, além de facilitar uma possível explicação ao Fisco sobre ganhos no exterior num caso de retorno a condição de residente. Se houve o desejo em retornar, em todo caso, entre em contato com o Ministério das Relações Exteriores e siga suas instruções para oficializar lo.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Endividamento

Se tem algo fundamental para quem se muda para outro país é o controle rigido sobre suas finanças. Israel ainda provê uma ajuda de custo pelos primeiros seis meses após a chegada do imigrante, para complementar o que foi trazido do país de origem, e para que no início o imigrante possa se dedicar aos estudos, sem grandes preocupações em trabalhar logo. A questão é que se trata de uma ajuda de custo, e não um salário, portanto, é necessário controle de gastos e não contar apenas com este recurso.
Lembro que todo o final de mês, as preocupações aumentavam em todos, pois o dinheiro ia acabando. Um mês em particular, julho de 2017, durante o interválo das aulas de hebraico, comentei com uma amiga que eu estava meio apertado de dinheiro e que teria que economizar ainda mais, no que ela me disse que estava com o saldo negativo. Foi um susto para mim, pois eu ainda tinha cerca de ₪900 para terminar o mês e estava preocupado (dos ₪ 2600 recebidos), pois teria que esperar cerca de 15 dias para receber outra parcela da ajuda de custo (chamada de Sal Klitá). Não falei a ela o quanto eu tinha.
Se ainda assim eu precisasse de recursos, eu acionaria o dinheiro que eu trouxe comigo, o que não foi o caso naquele momento, e em último caso, meus pais e amigos no Brasil poderiam aventualmente me socorrer, o que também não foi o caso. Mas quantas pessoas que imigram podem contar com essa ajuda?
Porém me chamou a atenção para algo que já me diziam desde o Brasil, que muitos imigrantes brasileiros, maravilhados com as diversas opções que Israel oferece, abusavam de gastos e depois não conseguiam honrar com os pagamentos destes, atrasando pagamento de tributos como a Arnona (algo parecido com o IPTU no Brasil, porém cobrado a cada 2 meses, e não no começo do ano, parcelado).
Soube por outros que ela se envolveu, inclusive, com agiotas e empréstimos bancários para lidar com sua situção que posteriormente se agravou. Um outro amigo, ao fazer uma compra pequena no supermercado, teve a autorização negada pela administradora do cartão dele. Felizmente ele pode pagar em dinheiro. São situações pelas quais eu não passei e não desejo a ninguém.
Digo isto pois também leio muitas advertências de um grupo de veteranos brasileiros aqui em Israel a respeito dos perigos de se endividar, de como economizar, de onde buscar ajuda antes que a divida seja iniciada, pois afinal de contas, não se pode julgar as pessoas pelo mal que lhes acomete, pois não estamos na situação delas para entendero que houve. Mas é recorrente o endividamento no país todo, e não apenas com brasileiros.
Dados a cerca do salário médio, apresentados pelo Escritório Central de Estatística
Tanto é que um dado divulgado pelo governo, a respeito do salário médio em Israel, está chamando a atenção negativamente. A publicação diz que o salário médio em Israel é de ₪12 mil, o que a princípio seria um bom salário, mas daí se levanta a suspeita sobre o cálculo feito, pois segundo reportagem do Canal 7 (Arutz Sheva, em hebraico) apontou, a maioria dos cidadãos passa ao menos um mês do ano com saldo negativo, informação obtida junto com o mesmo órgão que divulgou o salário médio, o Escritório Central de Estatística. Varios brasileiros, veteranos em Israel, também tem duvidado dos valores apresentados, pois descreditam que os salários sejam neste patamar, e que os altos salários da empresa de gás e eletricidade, e muitas multinacionais estejam afetando a percepção real da média. Do pouco que lembro de estatística, há o chamado ponto de mínima e ponto de máxima, onde ambos podem afetar o desempenho da média. Por exemplo, se somarmos os salarios de três pessoas e dividirmos por 3, teremos a média, mas suponhamos que uma destas pessoas receba 3x mais que os demais, isto fará com que o desempenho da médica aritmética seja enganador. 
É um dado preocupante, e mesmo numa economia muito mais dinâmica que a brasileira, que enfrenta dificuldades vindas da instabilidade política recente.
Há facilidade em se obter crédito, seja por empréstimo, ou com cartões de crédito, pois aqui é comum as pessoas terem vários, o que pode levar qualquer um a uma situação complicada. Lembro também que, apartir do momento em que uma dívida é protestada em Israel, o cidadão fica impedido de sair do país, não importanto o motivo, até a quitação ou resolução da dívida. O mesmo vale para extrangeiros. Dívidas, aqui, não são perdoadas!

segunda-feira, 5 de março de 2018

O judaísmo é de direta ou de esquerda?

Há tempos eu venho pensando na associação que atualmente se criou entre judaísmo e a direta no espectro político, ainda mais no Brasil dos últimos tempos. No Brasil, atualmente, muito se resume a esta pergunta, muito superficial e bastante tendenciosa.
Há, como facil e comumente ocorre, uma generalização. Não há dados estatísticos dizendo qual a porcentagem aproximada de judeus que sejam pró direita ou pró esquerda. Mas tendo um clube carioca recebido para uma palestra um dos personagens políticos dos mais caricatos, que há mais de 20 anos é deputado federal sem ter aprovado sequer uma lei, que dá declarações fascistas... Enfim, o currículo é extenso... Criou se a percepção de que o judaísmo é de direita.
Mal sabem que durante a ditadura militar brasileira, de 1964-1985, diversos personagens judeus foram vítimas das crueldades e torturas do governo militar da época, tendo seu expoente máximo no jornalista Vladimir Herzog - nascido na Croácia, fugiu dos horrores do Holocausto - e acabou morrendo nos calabouços do DOPS. Um dos maiores rabinos que o Brasil teve, e que colocou o judaísmo no mapa social brasileiro, Henry Sobel, tomou a decisão de não enterra lo na área dedicada a suicidas - pois naquele momento, foi furjado o suicídio de Herzog. Não se esqueçam também que nas eleições presidenciais americanas de 2016, o senador Bernie Sanders, que quase disputou o cargo contra Trump, é judeu e um típico defensor de direitos sociais.
Ainda hoje diversos personagens políticos da esquerda são judeus, como o ex governador do estado da Bahia, Jaques Wagner.
Porém, desde a redemocratização do Brasil, uma maioria aparente dos judeus estava mais alinhada com os conservadores, ou o centro político, em especial, o PSDB, quando este ocupava uma posição de centro-esquerda, como é de se esperar de uma "social democracia", até que passou a se associar ao PFL, um dos partidos remascentes de apoio aos ditadores. Diversos pensadores políticos davam sustentação a um partido que dava a sensação de ser diferenciado pela sua capacidade de argumentação elevada, tendo seu expoente máximo o ex presidente Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo e professor. Em suma, um intelectual se tornou presidente do Brasil. FHC, alias, tem diversas homenagens feitas pela comunidade judaica do Brasil, como a de presidente hemérito do Centro da Cultura Judaica e tem uma placa em homenagem a visita que fez a Congregação Israelita Paulista, comandada a época pelo rabino Sobel. O mesmo não se repetiu com a visita do ex presidente Lula, e Dilma recusou os convites recebidos.
Desde a ascensão de Lula a presidência e a firmação da esquerda política no Brasil, embora seu governo tenha sido de fato de centro esquerda, vozes anti semitas, disfarçadas de anti sionistas, passaram a ganhar cada vez mais voz. Creio que muito mais em parte por conta do crescimento de redes sociais, como Orkut, Twitter e Facebook.
A presença de bandeiras palestinas em divesos protestos internos, como contra aumento de tarifa de ônibus ou até mesmo contra a corrupção, passaram a fazer parte do cenário. O paradoxal é ver a bandeira palestina em protestos contra a corrupção, como as de junho de 2013, sendo que tanto a OLP (Organização para Libertação da Palestina) como a ANP (Autoridade Nacional Palestina), são organismos dos mais corruptos, premiando até hoje, terroristas e familiares com gordos salários com o dinhheiro de doações, incluisive as brasileiras e americanas, sem contar que jamais fizeram uma eleição.
Isto foi ascendendo uma chama de alerta dentro da comunidade judaica, e muitos passaram, portanto, para um espectro político contrária da esquerda, assim como uma boa parte da sociedade brasileira. Não estou aqui fazendo julgamentos se os motivos são justos.
Eu, particularmente, sempre me vi como alinhado ao conservadorismo de verdade, tendendo a centro esquerda. E antes que eu alguém diga, não sou fã de Margaret Tatcher! Mas há anos o Brasil não tem representantes no centro, e nos últimos três anos, com o acirramento político crescente, uma parte consideravel da população voltou se para a direita política, e neste sentido, me senti lançado a esquerda - de forma um tanto quanto violenta, mas sem arrependimentos, tanto que de "coxinha" (apelido dado a quem é de direita no Brasil), passei a quase comunista, como muitos amigos meus acham que eu sou. Daí também minhas eventuais brincadeiras neste sentido, pois vermelho é a minha cor favorita, e adoro meu suéter vermelho!
Este meu alinhamento se mantém, pois eu não consigo ir contra a conquistas sociais, contra a criação de uma sociedade mais igualitária e respeitosa, e principalmente, me associar a uma política opressora, nazi/fascista, caduca, e que hoje até se orgulha do seu passado torturador.
Tanto pediram, e cá estamos!
Apesar de que é da esquerda (radical) que parte constantes ataques a Israel; não a sua política, bastante polêmica (eu concordo), mas a sua existência. Fiquei, inclusive, abismado com este texto que foi publicado a respeito da possível visita de Benjamin Netaniahu ao Brasil, ainda em 2017. Um texto lotado de ódio simplista, onde se baseia na literalidade do texto bíblico, com erros de interpretação absurdos, para se posicionar contra a visita. Se eu estivesse no Brasil, teria entrado com um processo judicial contra este ser que se define como jornalista. Nem mesmo pastores de igrejas evangélicas conseguem falar tantos absurdos bíblicos para destilar ódio gratuito de descarato como este cretino teve. Mas lendo o texto, não há um minimamente argumento plausível contra a visita. Lelê Teles, com o perdão do trocadilho, deveria se renominar "Lelé da Cuca" (gíria brasileira para definir uma pessoa louca). O absurdo foi tamanho que o texto foi removido, mas devidamente recuperado no link, para o "deleite" de vocês, meus caros leitores. Um jornalista mequetrefe, como este se auto define, passa a ser também um agente político, ajudando na criação de uma visão negativa.
Ou seja, num espectro ou outro, o judaísmo tem na atualidade, desafios a enfrentar, pois de um lado se questiona a existencia de um país para sua auto determinação, e de outro se alinha a aqueles que por tantos anos provocaram diversas fugas em massa, culminando no Holocausto.
Se é que é possível assim determinar, e estando a parte das peculiaridades da política nacional, eu diria que o judaísmo como um todo tende ao centro político, pois a cultura judaica não se envergonha de sua riqueza, não diz que é pecado enriquecer - ao contrário, tende a ser fruto de mérito e esforço. Porém as comunidades judaicas em praticamente todo o mundo prosperam justamente por haver uma contribuição para que seus membros consigam se reerguer, caso tenham sofrido algo, e que tenham a devida ajuda para que caminhem com seus próprios pés. Ou seja, todos tentam se ajudar na medida do possível, o que tende a diminuir as desigualdades entre os mais ricos e mais pobres. Aqui em Israel, por exemplo, mesmo os imigrantes que pouco falam a lingua local, conseguem uma posição de trabalho sem grandes dificuldades. Notem que falei do judaismo, e não de Israel!
A questão atual de muitos judeus brasileiros está contaminada com a lama tóxica em que a política nacional brasileira foi jogada. Espero, que num futuro breve, quem é de esquerda não seja "proibido" de possuir um Iphone, pois não se defende uma vida franciscana, bem como quem é de direita não se alinhe com pensamentos fascistas. Espero assim que todos recobrem seus pensamentos cheios de ódio e parem de bater no peito dizendo que tem razão, ou como o Lelé da Cuca disse, que traz a verdade. Só um tem a verdade, e não somos nós, prezados humanos, que a possuímos!

2 anos longe de muitos, mais perto de mim.

Já pararam para pensar que a vida de uma pessoa é como um livro, escrito em tempo real? Felizmente, ou não, jamais teremos acesso a totali...