quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ano 1!


Finalmente chegou! Meu primeiro ano em Israel.
Nas primeiras horas do dia 26 de abril de 2017, eu desembarcava no aeroporto Ben Gurion, para mudar minha vida, mudar de vida, e entre altos e baixos, definitivamente mudei. Sou outra pessoa, em diversos sentidos.
As vezes paro para pensar em cada detalhe que eu passei antes, durante e após esta grande mudança na minha vida.
Algo que faz não me arrepender é o quanto eu tenho aprendido com as histórias de cada uma das pessoas que passaram pela minha vida. De trabalho, colegas no centro de absorção, de Ulpan... Todos me transformaram numa pessoa diferente. Creio ser uma pessoa melhor, mas só o tempo dirá com devida propriedade.
É um momento de balanço, de lembranças, de saudades, de reconhecimentos e méritos. Qualquer mudança de país é bastante dificil para quem quer que seja, para qualquer país que seja, e comigo e Israel não foi diferente. Alguns enfrentam de forma mais tranquila, outros de forma bastante turbulenta, mas todos cheios de emoção. E como uma pessoa extremamente passional como sou, não foi diferente. Um pouco de tudo.
As vezes paro para pensar no que deixei para trás, e ainda me questiono se foi o melhor. Não é arrependimento, mas uma consideração, um carinho. Deixar família, amigos, trabalho, e O Amor da minha vida para trás não foi uma decisão fácil ou que eu recomende. Mas eu sentia que precisava de um "tapa na cara", sair da minha zona de conforto, de experimentar o que a vida pode me oferecer, e não poderia esperar quem quer que fosse pensar a respeito, até porque a decisão foi tomada num momento de profunda solidão. Precisava seguir a diante. O tempo é o senhor das respostas e ele me proverá o amor que eu deixei, seja aqui ou aí. 12 anos de história não são 12 dias, nem 12 meses.
A saudade é algo que não passa. Apenas a controlo, e por vezes a sufoco, soco, mas ela saiu feito um furacão quando eu reencontrei minha familia em Jerusalém. Uma emoção que para poucos eu tive a coragem de descrever.
Posso dizer que sou uma pessoa de sorte. Vi o quanto meu pai trabalhava, dia e noite, para manter uma qualidade de vida razoável para mim e minhas irmãs, mas nem por isso foi fácil enfrentar a inflação dos anos 80, o sequestro das economias com Fernando Collor em 90... Ainda assim, me considero de sorte por ter tido muitas oportunidades na vida. Porém senti que eu disperdicei muitas delas, e minha vinda para cá serve também como uma resposta pessoal de quem se cansou de desperdícios, de colocar a própria vida em segundo plano para atender as demandas alheias.
Como eu costumo a dizer: Eu não virei as costas a ninguém ou a nada, apenas virei de frente a mim mesmo!
As vezes é assim que me sinto. Equilíbrio é a palavra chave.
Poucos são os que me disseram e/ou reconhecem sobre a coragem que eu tive em fazer o que fiz. Eu mesmo demorei para reconhecer. Vim para um país que eu não conhecia de forma alguma. Jamais estive aqui antes e encarei este desafio. Talvez daí venha a impressão em muitos que eu não gosto daqui. É o oposto. Apenas desenvolvi ainda mais um espírito crítico de quem quer melhorar, e quem quer melhorias. Sou feliz aqui. Se meu destino é permanecer aqui é outra questão, e não estou em busca desta resposta no momento. Vim com a cabeça aberta para uma experientação, e tenho sugado o que é possível e sinto que tenho muito mais a aprender!
Quando somos crianças, crescemos e evoluímos numa sociedade, seja ela qual for, sem uma referência anterior. Uma imigração na fase adulta não apaga este passado, esta evolução, este referencial, e daí as brigas internas constantes para entender a sua nova realidade. Acho que assim resumo o que eu vivo aqui. Um enfrentamento diário comigo, muito mais do que com outros.
Parte das críticas que recebo também são frutos da minha pseudo exposição via redes sociais e por aqui, embora eu sempre ressalte que eu sou consciente do que exponho, e Ninguém tem capacidade de me julgar, pois Ninguém sabe nem 10% do que passo.
Muitas decepções passei, bem como muitos alentos e carinho tenho encontrado, e boa parte a distância. Amizades que pareciam tão amenas, se provaram muito fortes e me dão mais gana em continuar, em avançar, em crescer, em melhorar, em me conhecer de fato. Retomei amizades duradouras que estavam adormecidas.
Lembro de uma senhora que me pediu uma ajuda, e ao notar meu sotaque, perguntou se eu era francês (a maioria acha que vim de lá), e ao falar Brasil, passou a falar num português muito bom, e me acalmou a respeito de muitas coisas, especialmente a valorizar as pessoas mais calmas e generosas no meio da ferocidade. E lá estava ela, e nem o nome dela eu sei, me abriu os olhos para outros aspectos. Só me recordo que ela morou por cerca de 7 anos no Brasil, 5 anos no Canadá e 2 em Portugal, e adorou o Brasil e espera voltar em breve, o que não se repete com os outros países citados.
E a cada paquera surgida a distância, um alento a meu coração. Em perceber que não sou invisível. Em perceber que embora nada tenha acontecido, a minha imaginação voou longe, as vezes para a França, Canadá, Brasil, Alemanha e Oceano Pacífico e a sensação de solidão era diminuída. Obrigado a todos, que de modo direto, e também os indiretos, demonstraram seus sentimentos por mim e pude retribuir de uma forma terna.
Ainda me sinto muito solitário aqui. E com isto também tenho aprendido a me conhecer, e me respeitar, e principalmente, a colocar em prática o que minhas terapeutas, as Dras Gabriela Russo e Rosangela Nimea diziam, de ter uma inteligência emocional, de cuidar primeiramente de si próprio - de equilibrar força e resiliência.
Enfrentei "sozinho" de Hepatite a crises de ansiedade, de despedidas a enterro de amigos, passando a colegas envolvidos com álcool a drogas. E na medida do possível tenho as encarado e superado. Não me deixei abater.
Aprendi a não tomar para mim o que acontece a minha volta. Não me tornei uma pessoa desprovida de coração, mas entendi que há fatos que ocorrem aquém da minha vontade, e envolver me com elas me tirará do meu caminho, do meu prumo e não trará necessariamente a devida ajuda. Até porque eu me afetei mesmo quando pediram para que não, como quando minha melhor amiga resolveu deixar Israel e seguir seu rumo noutro lugar. Mas me recompus rápido e hoje tenho aquele sentimento gostoso da saudade.
Acompanhei a distância a despedida de uma tia, o nascimento de filhos de amigos, promoção no trabalho... É ter ciência que não estou presente, mas faço parte das lembranças deles. É receber ligações de vídeo no meio da madrugada (daqui) cheia de piadas com a minha cara amassada de sono, ligações de video com fofocas generalizadas e compartilhar das alegrias e tristezas alheias, receber broncas via mensagens de voz, quase ser ludibriado por um psicopata, é ter um presente de aniversário entregue em meu nome. Receber a tradução gratuita do meu currículo sem que eu tivesse pedido, e ajuda com a minha saúde num triângulo Brasil-Holanda-Israel.
Eu poderia nomear cada um aqui, mas sinto que eu teria que abrir outro blog só agradecer a cada um da maneira que eu gostaria.
Resolvi, portanto, colocar uma foto daqueles que se destacaram, de algum modo, no topo desta publicação. Omiti outros em respeito a sua própria imagem, que por motivos que somente a eles cabe, preferem ficar de fora de holofotes. Bem como a minha família, da qual eu jamais pensei que seria tão compreensiva e participativa neste processo todo. Eu tenho plena consciência do susto que eu trouxe quando, resumidamente, eu contei: "daqui uns 20 dias estou me mudando. E não será de casa, e sim de país!". Fiz assim pois eu tinha que lidar com as minhas emoções primeiramente e depois com as dos demais.
Portanto, o sentimento de saudade hoje se mistura com o de agradecimento forte e sincero, tanto a aqueles que aqui estiveram comigo, a turismo, a negócios como neste sonho que é viver fora do seu país amado, do cerco de pessoas queridas, e enfrentar um país que pode ter seus defeitos (mas têm virtudes também), e ainda assim quase que integralmente lhe abraça e lhe deseja Mazal Tov (parabéns) e Behatzlachá (sucesso). Que venha mais!
Para terminar, fica a música que atualmente reflete um pouco das minhas sensações aqui. A tradução e a transliteração podem ser lidas aqui.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ver para crer. Visitar para sentir.

Israel não é um país fácil de entender.
Explicações externas tentam, mas em geral em vão, explicar os desafios da vida cotidiana e política no único país judaico do mundo.
E minha observação não se baseia no fato de eu ser judeu e morar aqui. Seja pelo lado positivista ou negativista, as observações sobre Israel são exageradas, infelizmente, muito mais por quem a critica. Nomes com a capacidade de análise histórica e que mantenham o respeito são poucos.
Lembro de ter lido uma das últimas notas oficiais do PSOL, onde um texto lotado de ódio, quase babando sangue, vem querer desqualificar ações militares de defesa de Israel. Se as observações se baseassem em abusos, seria de se levar em consideração, mas quando parte do princípio de línguajar chulo e cretino, com termos como banho de sangue e estado genocida, ultrapassa se claramente o limite entre critica a atuação e passa a se questionar a soberania nacional, o que é algo extremamente perigoso. A primeira é plenamente justificavel, desde que embasada, mas infelizmente, o partido não tem capacidade disto, e por isto mesmo, desde a sua fundação, corre por fora em qualquer cargo que dispute. São poucos os personagens ligados ao partido que tenham um viés neutro, e quem defenda Israel beira a neutralidade.
Não entrarei no mérito do conflito ocorrido ao Sul, pois pouco acompenhei o caso. Tanto que um jornalista brasileiro tentou obter informações comigo e creio ter sido muito vago. Abordo apenas do que sei! A questão é que os últimos conflitos, em 2017 e até a presente data em 2018, a segurança nacional saiu inabalada.
Esta semana eu tive a ilustríssima presença dos meus pais e irmã, comemorando o Pessach e matando as saudades deste quase um ano de distância. E chegaram pouco tempo após os conflitos na fronteira com Gaza. Logo nas primeiras horas, minha mãe, em sua primeira vez na Terra Santa, observou o quando as pessoas andam despreocupadas pelas ruas, e na quantidade de bancos pelas ruas, e como as pessoas a ocupam, transformando as em locais de socialização.
Pessoas próximas a ela, incluindo familiares, a aconselharam a não vir, acham que andamos nas ruas desviando de bombas e tiros, sendo que em momento algum ela sentiu qualquer medo ou inseguraça enquanto esteve aqui. é engraçado saber que até familiariares deram esta recomendação, sendo que o filho dela, eu no caso, está aqui e nunca fez qualquer menção a insegurança. Se ela estaria em risco ao vir, eu já estou há tempos.
Só faltaram minha outra irmã e meu sobrinho. No Yad Vashem.
É compreensível a preocupação, pois é algo fora da realidade brasileira. No Brasil a preocupação é em não andar com muito dinheiro no bolso, pois se pode ser assaltado, ou "ostentar" um celular novo, joiais, relógio - é "pedir para ser assaltado", e ainda dirão que a culpa é sua, da vítima. É ver notícias de chacinas, se indignar num dia, e nem pensar mais nisto no outro. Mas o problema é a guerra (que não existe) entre judeus e palestinos pelo controle em Israel.
Aqui se retira dinheiro no meio da rua, no meio da feira, sem diversos dispositivos de segurança comuns no Brasil.
Umas semanas antes da vinda deles, um amigo dizia que a relação que os país dele tinham com Israel também era de total preocupação, mas que após a visita, passaram a enxergar um país incompreendido, com seus vicios e desafios, problemas e soluções, e sairam muito mais tranquilos "em deixar" seu filho aqui. No fundo, embora eu ainda não tenha conversado muito com eles a respeito, creio que o mesmo ocorreu. E embora a saudade seja grande, e os convites para uma volta foram mantidos, viram o que eu lhes relatava, e mais, a respeito das possibilidades de crescimento profissional e pessoal, que foram muitos dos atrativos para a minha vinda.
Embora eu também me sinta triste em não haver qualquer chance de negociações de paz entre Israel e Palestinos, por culpa de ambos os lados (não vou aqui medir o mais culpado ou o mais inocente), a vida que se leva aqui é muito mais leve que no Brasil, mesmo nos aureos tempos de crescimento de 7% do PIB. Mesmo amigos vindos de paises desenvolvidos, como EUA, Bélgica ou Canadá, relatam a violência tem crescido, incluindo a terrorista, enquanto em Israel ela diminui a passos largos.
Independentemente da sua posição político-partidária, crença religiosa, fica o convite a visitar o país e ver com seus próprios olhos onde está o tal apartheid tão comumente dito, ou a insegurança nas ruas, o que o conflito com palestinos tem produzido: De um lado um país com uma economia punjante, do outro, se questione até que ponto Israel é responsável pelas mazelas daquela população. Eu ainda não tenho respostas para esta questão de difícil, e por isto compartilho aqui algo que também busco saber. Não estou, entretanto, dizendo que não exista qualquer destrate aos palestinos, mas a noção de apartheid é de segregação institucional de uma nação a seus prórios cidadãos, como o que ocorreu na África do Sul e Estados Unidos. Como ainda não tive qualquer possibilidade de visitar a Cisjordania, prefiro não emitir qualquer opinião a respeito.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Tel Aviv, uma das cidades mais caras do mundo

Sairam recentemente diversas reportagens, e diversas línguas, a respeito das cidades mais caras do mundo para se viver. Chama a atenção que a única cidade no Oriente Médio entre as 10 mais caras é Tel Aviv, coração cultural e financeiro de Israel. É a 9° colocada!
Lembro ano passado, durante minha primeira visita a cidade, quando encontrei um amigo coordenador da viagem Marcha para Vida, e uma amiga que não via há uns 10 anos e que mora na cidade. Fiquei bastante impressionado com o custo de coisas simples, como uma garrafa d'água. Na ocasião, eu comprei uma, de 1litro para beber no caminho de volta, durante o forte verão daqui, e me custou ₪11, sendo que na cidade de Beer Sheva, onde morava, a mesma garrafa custava ₪6.
Em 2011, houveram diversos protestos no país reclamando justamente do alto custo de vida no país, mas de lá pra cá, o que se diz é que as coisas não melhoraram.
Um ponto precisa ser observado: a desvalorização do dólar frente a diversas moedas, incluindo o Shekel Novo, tem influenciado no aumento do custo de vida. A pesquisa se baseado na conversão em dólar dos produtos listados.

Na minha opinião, o maior custo é o de moradia. Dividindo aparamento com algum colega de quarto, o aluguel na cidade parte dos ₪ 2300, não incluindo os custo de manutenção predial (parecido com condomínio no Brasil), água, eletricidade e a Arnona (imposto municial, equivalente ao IPTU).
Não a toa muita gente tem optado por morar em cidades próximas, e eventualmente distantes, e viajam todos os dias para trabalhar. Há casos em que pessoas tem optado por morar em cidades a mais de 80km de distância e vão de carro, ônibus ou trem para o trabalho, todos os dias. Num pais que se tem pressa demais, e paciência de menos, morar num local maior e mais barato não é algo facilmente aceitável - e nem deveria ser.
Seria este um preço a se pagar por causa do seu próprio sucesso?
Para encerar, um vídeo do Nas Daily, fazendo uma demonstração do custo de vida em Israel  embora tenha se concentrado em Tel Aviv, frente ao antigo salário mínimo daqui, que na ocasião do vídeo eram ₪5000 (₪27/hora), e hoje são ₪5300 (₪30/hora).

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dados de imigração

Há cerca de um mês foi divulgado números a respeito da imigração e de quantos sairam e não retornaram a Israel.
Os dados em questão mostram quantos imigrantes legais chegaram a Israel no período de 1º/01/1989 até 31/12/2012, ou seja, por 23 anos.
É um total de 1.330.340 imigrantes novos, sendo que destes, 144.628, ou 10,9% sairam de Israel e não retornaram. São considerados apenas os casos de não retornarem após 2 anós, quando para questões oficiais, é considerado não residente (embora a cidadania permaneça).
O que mais me chamou a atenção é o caso do Brasil. A saída de judeus do país rumo a Israel cresceu nos ultimos 3 anos, mas ficou abaixo do projetado para 2017 - se dizia que poderia passar as 900, e não chegou de 700, ficando uma numeração um pouco mais elevada se comparada com 2016. De todo modo, no período ilustrado, de 23 anos, 5.617 brasileiros imigraram para Israel, sendo que 1.426 sairam e não retornaram (taxa de 25,4%). Ou seja, a quantidade de brasileiros que chegou aqui em 23 anos não se compara com o de russos que chegam num único ano.
Um ponto que serve também para brasileiros compreenderem que o português tem pouca presença aqui é o fato de que neste período todo a quantidade de imigrantes não chega a 25% da imigração anual dos russos e ucranianos.
Outro ponto que me chama atenção é que os judeus do Brasil possuem uma das maiores taxas de evasão do país, que tem uma média de 10,9%, e de brasileiros em 25,4%. Não é possível apresentar os motivos, pois não é necessário ao cidadão, seja ele nativo ou imigrado, prestar informações a respeito.
O que deve ser feito é informar ao governo da sua saída, pois num caso de retorno, seja a turismo ou residência, não haja cobrança de pagamento de seguridade social atrasada, por exemplo. É algo parecido ao que no Brasil se faz junto a Receita Federal, a chamada Declaração de Saída Definitiva, que deve ser feita por cidadãos que pretendem permanecer mais de 12 meses no exterior, independentemente do motivo, e também serve para evitar taxação sobre ganhos de capital e salário no exterior, além de facilitar uma possível explicação ao Fisco sobre ganhos no exterior num caso de retorno a condição de residente. Se houve o desejo em retornar, em todo caso, entre em contato com o Ministério das Relações Exteriores e siga suas instruções para oficializar lo.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Endividamento

Se tem algo fundamental para quem se muda para outro país é o controle rigido sobre suas finanças. Israel ainda provê uma ajuda de custo pelos primeiros seis meses após a chegada do imigrante, para complementar o que foi trazido do país de origem, e para que no início o imigrante possa se dedicar aos estudos, sem grandes preocupações em trabalhar logo. A questão é que se trata de uma ajuda de custo, e não um salário, portanto, é necessário controle de gastos e não contar apenas com este recurso.
Lembro que todo o final de mês, as preocupações aumentavam em todos, pois o dinheiro ia acabando. Um mês em particular, julho de 2017, durante o interválo das aulas de hebraico, comentei com uma amiga que eu estava meio apertado de dinheiro e que teria que economizar ainda mais, no que ela me disse que estava com o saldo negativo. Foi um susto para mim, pois eu ainda tinha cerca de ₪900 para terminar o mês e estava preocupado (dos ₪ 2600 recebidos), pois teria que esperar cerca de 15 dias para receber outra parcela da ajuda de custo (chamada de Sal Klitá). Não falei a ela o quanto eu tinha.
Se ainda assim eu precisasse de recursos, eu acionaria o dinheiro que eu trouxe comigo, o que não foi o caso naquele momento, e em último caso, meus pais e amigos no Brasil poderiam aventualmente me socorrer, o que também não foi o caso. Mas quantas pessoas que imigram podem contar com essa ajuda?
Porém me chamou a atenção para algo que já me diziam desde o Brasil, que muitos imigrantes brasileiros, maravilhados com as diversas opções que Israel oferece, abusavam de gastos e depois não conseguiam honrar com os pagamentos destes, atrasando pagamento de tributos como a Arnona (algo parecido com o IPTU no Brasil, porém cobrado a cada 2 meses, e não no começo do ano, parcelado).
Soube por outros que ela se envolveu, inclusive, com agiotas e empréstimos bancários para lidar com sua situção que posteriormente se agravou. Um outro amigo, ao fazer uma compra pequena no supermercado, teve a autorização negada pela administradora do cartão dele. Felizmente ele pode pagar em dinheiro. São situações pelas quais eu não passei e não desejo a ninguém.
Digo isto pois também leio muitas advertências de um grupo de veteranos brasileiros aqui em Israel a respeito dos perigos de se endividar, de como economizar, de onde buscar ajuda antes que a divida seja iniciada, pois afinal de contas, não se pode julgar as pessoas pelo mal que lhes acomete, pois não estamos na situação delas para entendero que houve. Mas é recorrente o endividamento no país todo, e não apenas com brasileiros.
Dados a cerca do salário médio, apresentados pelo Escritório Central de Estatística
Tanto é que um dado divulgado pelo governo, a respeito do salário médio em Israel, está chamando a atenção negativamente. A publicação diz que o salário médio em Israel é de ₪12 mil, o que a princípio seria um bom salário, mas daí se levanta a suspeita sobre o cálculo feito, pois segundo reportagem do Canal 7 (Arutz Sheva, em hebraico) apontou, a maioria dos cidadãos passa ao menos um mês do ano com saldo negativo, informação obtida junto com o mesmo órgão que divulgou o salário médio, o Escritório Central de Estatística. Varios brasileiros, veteranos em Israel, também tem duvidado dos valores apresentados, pois descreditam que os salários sejam neste patamar, e que os altos salários da empresa de gás e eletricidade, e muitas multinacionais estejam afetando a percepção real da média. Do pouco que lembro de estatística, há o chamado ponto de mínima e ponto de máxima, onde ambos podem afetar o desempenho da média. Por exemplo, se somarmos os salarios de três pessoas e dividirmos por 3, teremos a média, mas suponhamos que uma destas pessoas receba 3x mais que os demais, isto fará com que o desempenho da médica aritmética seja enganador. 
É um dado preocupante, e mesmo numa economia muito mais dinâmica que a brasileira, que enfrenta dificuldades vindas da instabilidade política recente.
Há facilidade em se obter crédito, seja por empréstimo, ou com cartões de crédito, pois aqui é comum as pessoas terem vários, o que pode levar qualquer um a uma situação complicada. Lembro também que, apartir do momento em que uma dívida é protestada em Israel, o cidadão fica impedido de sair do país, não importanto o motivo, até a quitação ou resolução da dívida. O mesmo vale para extrangeiros. Dívidas, aqui, não são perdoadas!

segunda-feira, 5 de março de 2018

O judaísmo é de direta ou de esquerda?

Há tempos eu venho pensando na associação que atualmente se criou entre judaísmo e a direta no espectro político, ainda mais no Brasil dos últimos tempos. No Brasil, atualmente, muito se resume a esta pergunta, muito superficial e bastante tendenciosa.
Há, como facil e comumente ocorre, uma generalização. Não há dados estatísticos dizendo qual a porcentagem aproximada de judeus que sejam pró direita ou pró esquerda. Mas tendo um clube carioca recebido para uma palestra um dos personagens políticos dos mais caricatos, que há mais de 20 anos é deputado federal sem ter aprovado sequer uma lei, que dá declarações fascistas... Enfim, o currículo é extenso... Criou se a percepção de que o judaísmo é de direita.
Mal sabem que durante a ditadura militar brasileira, de 1964-1985, diversos personagens judeus foram vítimas das crueldades e torturas do governo militar da época, tendo seu expoente máximo no jornalista Vladimir Herzog - nascido na Croácia, fugiu dos horrores do Holocausto - e acabou morrendo nos calabouços do DOPS. Um dos maiores rabinos que o Brasil teve, e que colocou o judaísmo no mapa social brasileiro, Henry Sobel, tomou a decisão de não enterra lo na área dedicada a suicidas - pois naquele momento, foi furjado o suicídio de Herzog. Não se esqueçam também que nas eleições presidenciais americanas de 2016, o senador Bernie Sanders, que quase disputou o cargo contra Trump, é judeu e um típico defensor de direitos sociais.
Ainda hoje diversos personagens políticos da esquerda são judeus, como o ex governador do estado da Bahia, Jaques Wagner.
Porém, desde a redemocratização do Brasil, uma maioria aparente dos judeus estava mais alinhada com os conservadores, ou o centro político, em especial, o PSDB, quando este ocupava uma posição de centro-esquerda, como é de se esperar de uma "social democracia", até que passou a se associar ao PFL, um dos partidos remascentes de apoio aos ditadores. Diversos pensadores políticos davam sustentação a um partido que dava a sensação de ser diferenciado pela sua capacidade de argumentação elevada, tendo seu expoente máximo o ex presidente Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo e professor. Em suma, um intelectual se tornou presidente do Brasil. FHC, alias, tem diversas homenagens feitas pela comunidade judaica do Brasil, como a de presidente hemérito do Centro da Cultura Judaica e tem uma placa em homenagem a visita que fez a Congregação Israelita Paulista, comandada a época pelo rabino Sobel. O mesmo não se repetiu com a visita do ex presidente Lula, e Dilma recusou os convites recebidos.
Desde a ascensão de Lula a presidência e a firmação da esquerda política no Brasil, embora seu governo tenha sido de fato de centro esquerda, vozes anti semitas, disfarçadas de anti sionistas, passaram a ganhar cada vez mais voz. Creio que muito mais em parte por conta do crescimento de redes sociais, como Orkut, Twitter e Facebook.
A presença de bandeiras palestinas em divesos protestos internos, como contra aumento de tarifa de ônibus ou até mesmo contra a corrupção, passaram a fazer parte do cenário. O paradoxal é ver a bandeira palestina em protestos contra a corrupção, como as de junho de 2013, sendo que tanto a OLP (Organização para Libertação da Palestina) como a ANP (Autoridade Nacional Palestina), são organismos dos mais corruptos, premiando até hoje, terroristas e familiares com gordos salários com o dinhheiro de doações, incluisive as brasileiras e americanas, sem contar que jamais fizeram uma eleição.
Isto foi ascendendo uma chama de alerta dentro da comunidade judaica, e muitos passaram, portanto, para um espectro político contrária da esquerda, assim como uma boa parte da sociedade brasileira. Não estou aqui fazendo julgamentos se os motivos são justos.
Eu, particularmente, sempre me vi como alinhado ao conservadorismo de verdade, tendendo a centro esquerda. E antes que eu alguém diga, não sou fã de Margaret Tatcher! Mas há anos o Brasil não tem representantes no centro, e nos últimos três anos, com o acirramento político crescente, uma parte consideravel da população voltou se para a direita política, e neste sentido, me senti lançado a esquerda - de forma um tanto quanto violenta, mas sem arrependimentos, tanto que de "coxinha" (apelido dado a quem é de direita no Brasil), passei a quase comunista, como muitos amigos meus acham que eu sou. Daí também minhas eventuais brincadeiras neste sentido, pois vermelho é a minha cor favorita, e adoro meu suéter vermelho!
Este meu alinhamento se mantém, pois eu não consigo ir contra a conquistas sociais, contra a criação de uma sociedade mais igualitária e respeitosa, e principalmente, me associar a uma política opressora, nazi/fascista, caduca, e que hoje até se orgulha do seu passado torturador.
Tanto pediram, e cá estamos!
Apesar de que é da esquerda (radical) que parte constantes ataques a Israel; não a sua política, bastante polêmica (eu concordo), mas a sua existência. Fiquei, inclusive, abismado com este texto que foi publicado a respeito da possível visita de Benjamin Netaniahu ao Brasil, ainda em 2017. Um texto lotado de ódio simplista, onde se baseia na literalidade do texto bíblico, com erros de interpretação absurdos, para se posicionar contra a visita. Se eu estivesse no Brasil, teria entrado com um processo judicial contra este ser que se define como jornalista. Nem mesmo pastores de igrejas evangélicas conseguem falar tantos absurdos bíblicos para destilar ódio gratuito de descarato como este cretino teve. Mas lendo o texto, não há um minimamente argumento plausível contra a visita. Lelê Teles, com o perdão do trocadilho, deveria se renominar "Lelé da Cuca" (gíria brasileira para definir uma pessoa louca). O absurdo foi tamanho que o texto foi removido, mas devidamente recuperado no link, para o "deleite" de vocês, meus caros leitores. Um jornalista mequetrefe, como este se auto define, passa a ser também um agente político, ajudando na criação de uma visão negativa.
Ou seja, num espectro ou outro, o judaísmo tem na atualidade, desafios a enfrentar, pois de um lado se questiona a existencia de um país para sua auto determinação, e de outro se alinha a aqueles que por tantos anos provocaram diversas fugas em massa, culminando no Holocausto.
Se é que é possível assim determinar, e estando a parte das peculiaridades da política nacional, eu diria que o judaísmo como um todo tende ao centro político, pois a cultura judaica não se envergonha de sua riqueza, não diz que é pecado enriquecer - ao contrário, tende a ser fruto de mérito e esforço. Porém as comunidades judaicas em praticamente todo o mundo prosperam justamente por haver uma contribuição para que seus membros consigam se reerguer, caso tenham sofrido algo, e que tenham a devida ajuda para que caminhem com seus próprios pés. Ou seja, todos tentam se ajudar na medida do possível, o que tende a diminuir as desigualdades entre os mais ricos e mais pobres. Aqui em Israel, por exemplo, mesmo os imigrantes que pouco falam a lingua local, conseguem uma posição de trabalho sem grandes dificuldades. Notem que falei do judaismo, e não de Israel!
A questão atual de muitos judeus brasileiros está contaminada com a lama tóxica em que a política nacional brasileira foi jogada. Espero, que num futuro breve, quem é de esquerda não seja "proibido" de possuir um Iphone, pois não se defende uma vida franciscana, bem como quem é de direita não se alinhe com pensamentos fascistas. Espero assim que todos recobrem seus pensamentos cheios de ódio e parem de bater no peito dizendo que tem razão, ou como o Lelé da Cuca disse, que traz a verdade. Só um tem a verdade, e não somos nós, prezados humanos, que a possuímos!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Fantasia ou liberdade?

Nesta data, em Israel e todo o mundo judaico, é celebrada Festa de Purim, que remonta ao tempo pós destruição do 1º Templo de Jerusalém, quando as tribos de Levi e Judá, as remanescentes (pois as demais tribos foram capturadas pelos assírios), foram levadas para a Babilônia (hoje Iraque), e depois esta fora conquistada pelos Persas (hoje Irã). Para maiores informações, vide o Livro de Ester (embora não seja a melhor fonte histórica, traz uma dimensão de sua importância). Ou também esta página sobre História Judaica (eu conheço o autor).
Eu poderia abordar o aspecto religioso, mas deixarei de lado (em parte), pois a intenção deste blog nunca foi uma abordagem religiosa do judaísmo - primeiro por eu não me considerar bastante capaz para isto, e segundo que a minha intenção é abordar as dificuldades da adaptação a Israel e sua realidade do cotidiano.
Desde de cedo, muita gente andando pelas ruas com fantasias das mais diversas, o que é tradição relativa a festa. Eventualmente chamada de Carnaval dos judeus, Purim é uma das festas mais alegres em Israel. No Brasil, assim como em diversas comunidades judaicas do mundo, as pessoas andam com as fantasias em mochilas e as usam apenas nas sinagogas, esperando pela leitura do livro de Ester. Em Israel, por ser o único país no mundo onde judeus são maioria, não há problema algum sair fantasiado. Na verdade, é condizente com o estilo pouco formal daqui.
Eu não tinha planejado nada, mas antes de ir trabalhar, todos os meus colegas compartilharam fotos de suas fantasias, e ao chegar com meu uniforme comum, me senti deslocado. Ao invés de me entristecer, resolvi entrar no ritmo e passei a usar a fantasia da foto - orelhas de coelho. Foi a primeira coisa que encontrei pela frente, e ainda assim teve um efeito muito forte em mim.
De repente, andar com uma fantasia, a princípio boba e infantil, me fez ganhar diversos elogios, despertar risadas e conversas das mais diversas. Passei a ver a história de Ester como sendo minha, de libertação pessoal. A história trata da libertação dos judeus (alias, primeira citação deste termo na Bíblia toda) frente ao chefe de governo persa que queria nossa destruição.
Passei a entender aquela fantasia simples com um significado muito maior do que iniciamente desenhada. Quantas vezes na vida não temos imagens em nossas mentes das situações mais estúpidas, mas engraçadas, e que não a fazemos? O aspecto sexual também pode ser aplicado, embora não seja o foco. Quantas vezes deixamos de fazer algo pelo que os outros vão pensar de nós, e consequentemente, nos retraímos?
No Brasil eu já vinha me libertando um pouco. Minha vinda para Israel, em muito, tem a ver com minha auto determinação. E agora, andar com estas orelhas de coelho fizeram eu trabalhar com mais alegria, energia e determinação, mesmo num dia em que vários de meus colegas faltaram e eu tive que cubrir os seus setores.
Portanto, assim como na história de Ester, me vi livre de muitas amarras. E o mais curioso é que aqui eu tenho levado uma vida muito menos religiosa do que ue levava no Brasil. Tenho frequentado muito pouco as sinagogas e feito poucas leituras de textos diversos, e ainda assim, me vejo imerso num mundo diferente do que eu esperava. É o judaísmo menos pragmático e mais vivido em sua essência.
Isto me faz lembrar da música das "As Frenéticas", onde num refrão elas cantam:
"A gente as vezes sente, sofre, dança, sem querer dançar.
Na nossa festa vale tudo. Vale ser alguém como eu, como você"

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Questões linguísticas

Foi divulgado pelo governo de Israel uma tabela com dados das línguas mãe mais faladas por aqui, para pessoas com 20 anos ou mais.
É interessante notar que o hebraico, embora seja a lingua majoritária, ainda não é a língua mais da maioria absoluta da população daqui. Assim como o russo, embora não seja uma das línguas oficiais de Israel (são hebraico e árabe), esteja próximo do árabe.
Por outro lado, mostra o quando o inglês, tão comumente usado como língua franca no mundo, e com todos os acordos e apoios vindo dos EUA a Israel, representa apenas 2% da população. Não consegui encontrar ainda qual a porcentagem da língua portuguesa, mas definitivamente representa menos de 1%.
O mais interessante é que mostra porque quando se vai a postos de saúde, por exemplo, se encontra informações em Hebraico, Árabe e Russo, e nada em inglês. E reforça a minha recomendação de estudo prévio da língua hebraica antes de imigrar para este país, pois fora questões turísticas, pouco se ouvirá numa língua minimamente conhecida aos brasileiros (cito espanhol e inglês, embora a grande maioria pensa que sabe e de fato apenas dobra a língua).
Esta divulgação também não mostra a quantidade de pessoas que tem uma segunda lingua, como eu disse, os árabes e beduínos usam o árabe como primeira lingua e o hebraico como segunda (os beduínos tem maior dificuldade com o hebraico do que os árabes, que falam muito bem). Escrevo isto pois eu lembro certa vez, num mercado, um funcionário, fluente no hebraico, começou a explicar algo em russo para uma cliente. Atualmente uma das minhas gerentes e filha de russos, mas pelas conversas que escuto dela, o hebraico é a primeira lingua dela e o russo ela tem maior compreenção do que capacidade de fala, pois mistura muitos termos em hebraico com o russo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Dimensões de Israel

Noto cada vez mais o quanto Israel é incompreendida sob diversos pontos de vista, e resolvi esclarecer algumas questões da Geografia deste país.
O fato de ser um país pequeno, "engana" sob diversos aspectos. No quesito área, Israel possui 22.072 Km², o que é um pouco maior que o menor estado brasileiro, Sergipe. Porém, Sergipe possui uma distribuição geográfica mais quadrangular, enquanto Israel é bastante estreita na sua região central (chegando a ter apenas 12 km (em linha reta) entre o litoral de Hertzlia e a fronteira com a Palestina), e tendo uma distância relativamente grande do ponto mais ao norte ao sul.
O fato de ser estreita é o que faz o país parece maior do que é, pois na minha primeira viagem, de Beer Sheva a Eilat, eu levei 3 horas de viagem de ônibus, considerando a única parada de 20 min. Para exemplificar, uma rota de Norte a Sul, entre o Resort do Monte Hermon e Eilat, tem 548km de distância, feita, em aproximadamente 7h, sem considerar possíveis congestionamentos. Uma distância um pouco maior do que entre Rio de Janeiro e São Paulo.
Eu encontrei este mapa que exemplifica bem o tamanho do país, se comparado com a maior cidade brasileira, São Paulo. Como eu costumo dizer, Tel Aviv é do tamanho de alguns bairros de São Paulo, como Jardins e parte da Bela Vista, com uma população menor que estes bairros, isoladamente.
Estes e outros dados eu deixei no quadro abaixo. Notem que em alguns casos, eu comparei Israel a um estado ou cidade brasileira:
O aeroporto Ben Gurion embora menor em número de passageiros e área ocupada, é atendida por 48 Cias Aéreas, enquanto o aeroporto de São Paulo é atendida por 35. A grande diferença está nos vôos nacionais, pois desde TLV há vôos apenas para Eilat, e que Tel Aviv possui 2 aeroportos, sendo o segundo localizado próximo ao Parque Yarkon, e um pouco maior que o aeroporto Campo de Marte em São Paulo (usado apenas para táxi aéreo), e que faz vôos para Eilat e alguns poucos destinos internacionais.
Note que a maior distância entre cidades de Israel cabe dentro do estado de São Paulo, ou seja, nem é preciso comparar com a maior distância entre cidades do Brasil, pois seria igual comparar um país pequeno com um continente inteiro.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Bye bye Putin?

Chama a atenção a quantidade de imigrantes vindos de países da extinta URSS, especialmente Rússia e Ucrânia, aqui em Israel. Desde a queda daquele país e sua abertura política e econômica no início dos anos 90, milhões de russos vieram para Israel em busca de um país melhor para viverem, pois ali estavam privados de demonstrações públicas de religiosidade, além de todas as falhas que o regime soviético causou na vida de muitos. Onde quer que se vá neste país, se escuta russo. No meu caso, ao menos uma vez por dia, praticamente todos os dias.
Olhando para os dados divulgados pelo Banco Mundial realmente é impressionante a melhoria em diversos índices econômicos de Israel, especialmente desde 1960.
Minha amiga americana, de origem parcialmente ucraniana, muitas vezes me disse que muitos dos ucranianos, em especial, vinham para cá para depois abandonarem Israel e entrarem em paises da União Européia, pois os acordos diplomáticos com Israel são mais avançados do que com os países soviétivos, e terem uma vida mais tranquila. E os ucranianos, em geral, tem maior conhecimento de línguas estrangeiras que os russos.
Era uma história que, de certa forma, me custava a acreditar. Até que recentemente eu encontrei uma reportagem compartilhada por outros imigrantes, elaborada pelo jornal Haaretz, que fala exatamente isto, embora trate apenas dos russos e não dos ucranianos.
A reportagem traz a constatação de que muitos judeus que fizeram a chamada "Aliá do Putin" (Imigração do Putin), que foram realizadas após os anos 2000, especialmente após 2010, estão retornando para a Rússia ou indo para outros países, como Alemanha.
Os russos que vieram para cá antes da instituição do movimento Sionista de Hertzel, que deu início as negociações para a Partilha da Palestina em 1947, ou aqueles que receberam autorização especial (de saída) do Kremilin no anos 80, e os que sairam após a queda da União Soviética, vivenciaram um país numa situação socioeconômica muito deteriorada, e encontraram um país com condições de melhorias, embora ainda não fosse a potência econômica que é hoje. Porém, após os governos Yeltsin e Putin, a Rússia teve um crescimento social muito forte e reformas em estruturas decadentes herdadas do período soviético, embora ainda seja um país com diversos gargalos neste quesito, com inflação alta e baixo poder econômico para a maioria da população. Os imigrantes que vieram após a abertura econômica e após o período Yeltsin, portanto, vivenciaram melhores condições na Rússia e tinha expectativas mais altas que os das gerações anteriores.
Depois de ter lido alguma das reclamações na reportagem, considerei muitas delas válidas, porém exageradas em certos casos.
Há que se considerar outro fato, que para fins de imigração para Israel, basta ter um laço parental de até 2º grau, ou seja, seu avô ou avó ser judeu, mesmo que você não seja, terá total direito a imigrar e gozar dos benefícios concedidos. Porém para a Lei judaica (Halachá), é necessário ser filho de mãe judia, ou ter passado por uma conversão, porém em Israel, quem tem força política e religiosa é apenas a ortodoxia, e apenas as conversões realizadas aqui (em instituições ligadas a Rabanut Central) são reconhecidas, o que para muitos imigrantes russos tem gerado problemas de serem reconhecidos como judeus, desde não poderem ser enterrados em cemitérios judaicos, como serem discriminados em empregos onde é necessário ser judeu, como no manuseio de alimentos (para obtenção do atestado de Cashrut, ou seja, de que o alimento foi preparado sob a lei judaica), mas tem se extendido até para serviços como de garçons, que não requerem isto.
Ainda assim, as imigrações vindas da Rússia, em particular, ainda representa cerca de 20% dos imigrantes que chegam todos os anos a Israel.
De todo modo, fiz questão de compartilhar estas reportagens e esta realidade para alertar aos que tem intenções de imigrar para algum país, incluindo Israel, para que se preparem para um plano B, pois sempre é possível se decepcionar com o que encontram, e se trata de um aspecto pessoal. Em qualquer país para o qual se vá sempre se encontrará coisas boas e ruins, porém é necessário ter um grau de tolerância, pois a imigração sempre lhe tirará da sua zona de conforto, e até poder se sentir integrado, leva tempo, e ficar culpando o país para onde se foi não resolverá a questão, pois quem pagará o preço financeiro e psicológico da decepção será você, e não os que ficam, e aquele "instinto" de xingar via redes sociais, por exemplo, em nada ajuda - apenas criará um sentimento de inimizade nada construtivo com a população do país que se deixou.
Obs: O mapa inicial foi desenvolvido pelo jornal Haaretz, e eu apenas traduzi. Notem que eles chamam de Ex União Soviética, porém só consta pintada a Rússia.

2 anos longe de muitos, mais perto de mim.

Já pararam para pensar que a vida de uma pessoa é como um livro, escrito em tempo real? Felizmente, ou não, jamais teremos acesso a totali...